segunda-feira, 12 de setembro de 2011

NOSSO COMPADRE


Poema de Exu (Jorge Amado) 

Não sou preto; branco ou vermelho; Tenho as cores e formas que quiser; Não sou diabo nem santo, sou Exu; Mando e desmando; Traço e risco; Faço e desfaço; Estou e não vou, Tiro e não dou; Sou Exu; Passo e cruzo; Traço, misturo e arrasto o pé; Sou reboliço e alegria; Rodo, tiro e boto; Jogo e faço fé; Sou nuvem, vento e poeira; Quando quero, homem e mulher; Sou das praias, e da maré; Ocupo todos os cantos; Sou menino, avô, maluco até; Posso ser João, Maria ou José; Sou o ponto do cruzamento; Durmo, acordo e ronco falando; Corro, grito e pulo; Faço filho assobiando; Sou argamassa; De sonho carne e areia; Sou a gente sem bandeira; O espeto, meu bastão; O assento ? O vento; Sou do mundo, nem do campo; Nem da cidade; Não tenho idade; Recebo e respondo pelas pontas; Pelos chifres da nação; Sou Exu; Sou agito, vida, ação; Sou os cornos da lua nova; A barriga da rua cheia; Quer mais ? Não dou; Não tou mais aqui! 

Um dos oriki de Exú diz isso claramente:

Exú faz o erro virar acerto e o acerto virar erro 
Quando sentado sua cabeça bate no teto; 
de pé, não atinge sequer a altura do fogareiro
Exú transporta numa peneira o azeite que 
comprou no mercado e o aceite não escorre 
dessa estranha vasilha. 
Matou um pássaro ontem com a pedra que atirou 
hoje. 
Quando zangado pisa na pedra e ela sangra

Através deste oriki é que chegamos a conclusão que a palavra impossível não existe para Exú. Costumam dizer que o dia 
consagrado a Exú é a segunda-feira, mas, na minha opinião todos os dias são consagrados a ele. Por isso. É obrigação de 
todos aqueles que foram iniciados no Candomblé saudá-lo todos os dias.
Láaròyè Exú

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