CONTOS DO INFERNO. Há muito tempo eu imaginei que seria possível desenvolver uma espécie de sinergia, capaz de transformar a realidade, e que esta sinergia sendo posta em prática, poderia alavancar objetivos comuns entre as pessoas. Que ridículo! Percebi o quão patético é o discurso do “bem comum” e todos aqueles ideais defendidos hipocritamente. Percebi que a velha abordagem contradiz meu próprio discurso. Pra que defender uma causa quando os envolvidos não merecem? Pra que mostrar Quimbanda a quem não merece uma fagulha? O ser humano é o tipo da pior espécie. A mais hipócrita estúpida e traiçoeira das criaturas. Entretanto, e ao mesmo tempo, possui algo excitante que pode ser absorvido, desde que aprendamos a nos alimentar disso, podemos mergulhar o dedo no cálice e tomar uma alma como se arrancando a artéria de um galináceo – podemos sugar até a última gota! [???]A intenção é insuficiente. Sempre devemos escolher o ódio de alguns para receber o amor de outros. Isso faz parte do processo. Não existe bem comum, ou objetivo comum, senso comum que seja realmente libertador. A verdade, a única verdade, é a aquela subjetiva, pessoal, intrínseca. O bem comum serve para ser enfiado no rabo, empurrar, até sair pela boca suja de gente podre. Por essas e outras razões decidi que vou odiar a Todos. Assim me liberto, e amo quem eu quiser, quando for conveniente. Acredite, o ódio liberta! Não veja só em mim o que existe em nós dois. Não há um ser neste mundo que não seja egoísta. E não tente ser hipócrita comigo, pois não vai funcionar. Não venha com discurso de paz e amor para o meu lado, nem tente impor alguma moral supérflua. Não se trata de redes sociais, preferências, gostos, Orkut ou Facebook? Estou falando de princípios, de pessoas, de algo interno. Você pode tentar conjugar o verbo, mas não vai mudar o sujeito da frase. Você não mudará as pessoas. Você é quem deve mudar. Já deu pra perceber algumas razões óbvias, e por que não mais desejo o “bem comum”. Contos do Inferno é minha próxima meta. Vou retratar o cotidiano do povo mais sujo da Terra. Cansei de escrever assunto chato, não me leva a nada.
Isto significa que não mais irei compartilhar o que as pessoas desejam, mas o que eu desejo, pois, no final das contas, é o que realmente importa. Cheguei num ponto em que nada mais importa – se não me inspira não me importa. Vou levar um tempo até retirar da internet boa parte do que foi exposto. Mas vou fazer lentamente, até deixar apenas o que “eu desejo”. E declinando este momentum quântico, redentor, faço das palavras inspiradoras o início da série, onde o personagem está profundamente entediado. Se quiserem ler, fique a vontade, mas se não quiserem, vão para o inferno!
GLOSSÁRIO SATÍRICO. Sinergia – amizade, cooperação Galináceo – tipo de ave doméstica Cálice – sentido metafórico para “falsidade” Alma – de “anima”, que dá ânimo, sentido à vida
Gostei do texto, de quem é a autoria?
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