sexta-feira, 14 de outubro de 2011

iniciação


INICIAÇÃO

A iniciação é o rito que marca a entrada do adepto na Quimbanda. Este procedimento visa desenvolver a responsabilidade e o caráter. Alguns aspectos individuais podem ser colocados à prova, como o nível de interesse, a postura e lealdade diante dos irmãos de terreiro. Algo que o fará renascer para uma nova vida.
Mas o processo iniciático é algo que perdura durante muito tempo, e a cada ano os preceitos devem ser renovados, iniciando um novo ciclo. Não há um mês específico para este reinício; depende da data da iniciação. Algumas vezes se organiza os festins numa noite específica conforme o terreiro, ou por necessidade mesmo. De qualquer modo o encerramento sempre acompanha uma festa para celebrar o ano que passou; as vitórias e o desenvolvimento alcançado. 
Os graus evolutivos são atingidos com a construção da coroa e o assentamento, e também das experiências vividas, o que irá refletir no amadurecimento da prática. Com o tempo, por mérito, a entidade de trabalho (ou de frente) recebe a capa, o primeiro símbolo de conquista; obtendo maior autonomia dentro do culto. Não há uma regra que indique em qual momento a entidade poderá usar capa. Normalmente esta é resultante de uma grande resposta ou demonstração de firmeza nos trabalhos. 
Após receber a capa, o adepto poderá acessar os locais sagrados da Quimbanda, os reinos e moradas; realizar trabalhos. Mas não poderá imolar nenhum animal. A imolação só poderá ser feita após um ritual em que receberá seus Obés (facas sagradas) de sacrifício. Este processo pode levar sete anos ou mais para estar devidamente “pronto”. Ainda assim, sempre haverá novos ciclos evolutivos para serem trilhados. 
Alguns terreiros costumam presentear as entidades da Quimbanda com um par de sapatos; tornando este acessório um símbolo de evolução na terra. Quero deixar claro que o uso de sapatos pelas entidades nunca foi um fundamento. Esse costume é bem recente, e começou por causa do inverno gaúcho, muito rigoroso. Sendo assim nas grandes reuniões (festas) as entidades passaram a usar sapatos para proteger seus aparelhos. 
Entre as famílias mais tradicionais ainda se cultiva os pés no chão, pois o chão é sagrado para a Quimbanda. E aqueles que conhecem o fundamento, ao visitar uma casa tradicional, logo observam os pés do chefe do terreiro. Se ele estiver descalço, todos tiram os calçados em respeito ao solo que estão pisando.

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