domingo, 16 de outubro de 2011

LAROYÊ

Quimbanda, Exús de Yorimá...


Exu Senhor Pinga Fogo...
A Legião do Sr. Pinga Fogo, atua desmantelando e cortando correntes de trabalhos feitos nos cemiterios (Kalunga pequena), com espiritos chamados popularmentes de “Omulús”...
Cortando correntes provenientes das almas aflitas e desesperadas.
Cortando tudo que estiver ligado as correntes do catimbó, do reino da bruxaria, onde usa-se a menga e o ejé (sangue), oriundas de sacrificios de animais e que foram acentados na cabeça do prosélito, quebram tambem correntes de envultamento, feitos com bonecos, “bruxas”, agulhas, dedal, alfinetes, e etc...
A Legião do Senhor Pinga Fogo, atua combatendo a luxuria, promovendo a castidade (não a castidade regida, mais aqueles processos naturais do sexo entede-se bem), que tras a pureza do amor das Almas atraves dp fogo regenerador.
Exus da Falange do Senhor Pinga Fogo (Amiroy)...
Exú Pinga Fogo
Exú do Lodo
Exú Brasa
Exú Come Fogo
Exú Alebá
Exú Bará
Exú Caveira... 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A JUREMA


"A Jurema mostra o mundo inteiro a quem bebe: Vê-se o céu aberto, cujo fundo é inteiramente vermelho; vê-se a morada luminosa de Deus; vê-se o campo de flores onde habitam as almas dos índios mortos, separada das almas dos outros. Ao fundo vê-se uma serra azul; vêem-se as aves do campo de flores: beija-flores, sofrês e sabiás. À sua entrada estão os rochedos que se entrechocam esmagando as almas dos maus quando estas querem passar entre eles. Vê-se como o sol passa por debaixo da terra. Vê-se também a ave do trovão, que é desta altura (um metro). Seus olhos são como as da arara, suas penas são vermelhas e no alto da sua cabeça ela traz um enorme penacho. Abrindo e fechando este penacho, ela produz o raio e, quando corre para lá e para cá, o trovão."
A JUREMA é uma árvore (Mimosa Nigra Hu ) que floresce no agreste e na caatinga nordestina; da casca de seu tronco e de suas raízes se faz uma bebida que alimenta e dá força aos encantados do "outro-mundo". É também essa bebida que permite aos homens entrar em contato com o mundo espiritual e os seres que lá residem. Tal árvore se constitui enquanto símbolo mágico-sagrado e é núcleo de várias práticas mágico-religiosas de origem ameríndia. De fato, entre os diversos povos indígenas que habitaram ou habitam o nordeste, se fazia e em alguns deles ainda se faz uso ritual desta bebida.
Contudo, este culto este se difundiu dos Sertões e Agrestes nordestino em direção às grandes cidades do litoral, onde elementos das outras matrizes étnicas entraram em cena. Desse modo, o símbolo da árvore que liga o mundo terreno ao além e, embora amargo, dá sapiência aos que dela se alimentam, ganha novos significados, surgindo um mito com traços cristãos. Neste sentido, a Jurema surge como a árvore que escondeu a sagrada família, dos soldados de Herodes, durante a fuga para o Egito, ganhando desde então suas propriedades mágico-religiosas.

A jurema é um pau sagrado
Onde Jesus descansou
Que dá força e "ciência"
Ao bom mestre curador.

Ainda nessa perspectiva, juntaram-se na constituição desta forma de religiosidade popular, outros elementos de origem européia como a magia e o culto aos santos do catolicismo popular. Da matriz africana, incorporou o sacrifício de animais, como realizado entre os Xangôs nordestinos, além de algumas divindades do panteão Yorubá. As constantes ondas migratórias entre o interior e o litoral devem ter influenciado nestes intercâmbios de elementos simbólicos no culto. E com esta configuração ele se espalha em algumas capitais nordestinas, como Recife, Paraíba, Maceió (onde resido atualmente) e Natal. A Jurema é a encontrada na cidade do Recife (onde residi durante 11 anos, durante minha adolescência), em terreiros localizados em sua grande maioria nos bairros periféricos da cidade. Dimensionado os limites espaço-temporais do presente trabalho, um primeiro ponto a ser considerado é que o culto à Jurema não se dá de forma padronizada entre os diversos grupos existentes. Como dizem os juremeiros: "Jurema? Cada uma tem a sua, a minha eu cultuo como aprendi com fulano... (sic.)"
"A Jurema de sicrano ..., ele dá bode ao mestre dele, na minha eu não cultuo com sangue...(sic.)". Contudo, em meio às diferenças, existe um complexo de ritos e crenças que os juremeiros compartilham e que permite distinguir o culto à Jurema de outras formas concorrentes de religiosidade popular, em especial do Xangô e da Umbanda como praticadas no Recife. O que chamaremos aqui, complexo mágico-religioso da Jurema, envolve como padrão a ingestão da bebida feita com partes da Jurema, o uso ritual do tabaco, o transe de possessão por seres encantados, além da crença em um mundo espiritual onde as entidades residem. Passaremos então a buscar, dentre os rituais observados em várias casas religiosas do Recife, os elementos que possibilitem melhor caracterizar o complexo mágico-religioso do Culto à Jurema. Enfocaremos, então, o mundo espiritual e o panteão de encantados, os artefatos religiosos, os rituais, enfim, a visão de mundo existente entre os juremeiros.

Processo iniciático

Nos últimos anos, na minha região, as casas de religiões africanistas vem disputando espaço, e, por conseguinte, a soberba de ostentar uma bela corrente, com número expressivo de médiuns provoca uma briga constante, que acaba refletindo na sociedade, gerando verdadeiros “macacos”, que pulam de galho em galho, andam de terreiro em terreiro sem propósito algum.
Analisando este comportamento, identificamos um mal enraizado que pode causar inúmeros danos. O adepto não sabe mais ser responsável, e cada vez menos eles “vestem a camisa” do terreiro. Mas por quê? Foi tentando responder esta pergunta que tiramos algumas conclusões. Vejamos:
Nas sociedades antigas, bem como as seitas e cultos de mistérios havia uma característica muito interessante que certamente deveria ser considerado, tanto na Quimbanda, como em qualquer outro segmento de origem: O processo iniciático.
Ocorre que hoje em dia esta muito fácil entrar e sair de um terreiro. Mesmo que tal fato seja questionado pelos zeladores, sabemos que não funciona assim. Qualquer pessoa que se sinta a vontade pode dar início numa corrente.
Em outra situação falava-se das “provas”, hoje praticamente extintas do processo de desenvolvimento pela violência a integridade física, e algumas vezes, moral. Contudo, ainda me refiro à iniciação como um método prático para o desenvolvimento, não apenas da mediunidade, mas do indivíduo como um todo.
A iniciação nas sociedades secretas tinha como fundamento básico: a Morte e Renascimento. Isto significa que ao iniciar-se, simbolicamente o indivíduo morria para uma vida e renasciapara outra. Sem considerar aspecto teatral, o que não passa de uma tolice, ainda assim o aparato mágico e cerimonial causava – e ainda causa – enorme impacto psicológico.
As cerimônias precediam de uma boa dose de “emoção”; o postulante era questionado inúmeras vezes se “realmente estava pronto” para seguir em frente; se estava disposto a “sofrer para aprender”. No dia – ou noite – da iniciação, vendavam-lhe os olhos e conduziam-no por corredores até o local, para que o mesmo “não soubesse” por onde estava caminhando.
A partir daí sucediam-se várias provas – e até torturas – onde o postulante era seguidamente questionado e forçado a prestar juramento de lealdade ao clã. Muito embora estes procedimentos possam ser considerados “arcaicos”, lembremo-nos de que na idade da ignorância, uma descoberta podia significar a morte de todos.
Não quero dizer, com isso, que devamos seguir os mesmos preceitos, mas o exemplo de que é possível desenvolver um forte sentimento de responsabilidade em nossos novos adeptos.
Quando decidi pela Quimbanda, meu zelador repetia sempre as mesmas palavras: Tenha certeza disso, não há mais volta! Hoje eu sei que aquelas palavras significavam Coragem. Claro que certas coisas não são possíveis de reverter. É como aprender a nadar; impossível “des-aprender”. Mas é necessária muita coragem pra se jogar em “lagos profundos”; e uma vez aberta a porta para aquele conhecimento, ele vai acompanhá-lo por toda a vida.

O que quero dizer, é que não basta um “amaci”, um cruzamento, uma imolação. Isso tudo ainda é pouco diante de uma sociedade sedenta e curiosa. Eles precisam de algo a mais para firmar um compromisso. É preciso abnegação, envolvimento, impacto, e, “escolhas”. 

exú


EXU


As entidades da Quimbanda são ancestrais que tiveram ligação com o culto, em sua maioria pertencente a grupos familiares do séc. XIX. Alguns travaram relações de sangue com as culturas nativas, (ex: brancos que se relacionavam com negras ou índias). Estes passaram a ser chamados de Exu. Um equívoco lingüístico certamente, visto que Exu é a divindade Nagô. E foi por causa do seu arquétipo que acabou sendo relacionado às nossas entidades, “emprestado”, por assim dizer, o seu nome, pela característica de ser irreverente, debochado, desafiava a ordem e os dogmas da igreja.
Exu Rei - Tony Pres. Afroconesul
Hoje em dia, por causa da banalização provocada por práticas absurdas, não mais praticamos a cultura de divinizar nossos ancestrais. Muito se perdeu com a passagem do tempo; principalmente com a inserção da influencia européia cristã. Os catimbozeiros do nordeste explicam que os seus mestres se “encantaram” por causa de uma iniciação em vida que os levaram a integrar-se à natureza. Entretanto, essa tradição é uma herança indígena, que por costume faziam um tipo de ritual ao enterrar os seus mortos, sob as raízes de uma árvore, de modo que estes espiritualmente passassem a habitar o tronco da mesma. Esse procedimento “de encantamento” era uma forma de divinizar seus antepassados mais proeminentes, para que pudessem continuar presentes, acompanhando a vida e o cotidiano da tribo. 
No Catimbó nasceu muitas entidades que hoje conhecemos. Mas neste processo também houve a reinterpretação do mito Exu pelos umbandistas, que pelo fato de o Orixá africano ter sido “sincretizado” com o diabo, a associação deste com nossos ancestrais fez muita gente identificá-los como “espíritos maus”, vagabundos, bandidos, degradados que necessitavam de orientação para evoluir espiritualmente. Um tremendo equívoco, e também uma enorme falta de consciência ancestral. 
A ancestralidade é a chave para compreendermos o universo religioso e popular que se desenvolveu no Brasil. Precisamos voltar ao passado e compreender a miscigenação das raças e culturas que formaram a ancestralidade brasileira. Observando por esse ângulo fica mais fácil perceber que as nossas entidades não estão necessariamente vinculadas à mecanismos de evolução kármica; e sim a algo bem mais óbvio – a relação ancestral.
Como não perceber que existe uma forte relação entre médium e sua entidade? Em qualquer terreiro – não precisa ser Quimbanda. Observe a cumplicidade, o amor e respeito que existe; experimente falar mal da entidade do médium e veja o que acontece. É como falar da sua própria família. Qualquer pessoa tomará as dores pelo seu Guia Espiritual; e tal cumplicidade parte de ambos os lados. Uma entidade sempre defenderá seu médium, não importando a circunstância. Exatamente como um pai, uma mãe, irmão ou irmã. 
Não há nada mais interessante que esta ligação familiar, travada ao iniciarmos numa corrente mediúnica. Não os divinizamos por uma questão cultural do nosso tempo, mas as entidades de Quimbanda são grandes ancestrais dessa terra. Protetores que nos guiam nos conflitos da alma, prestando auxílio, orientando, ensinando, acompanhando a vida de perto. Mas também corrigem e repreendem quando deixamos a desejar. Logo, afirmar que estas entidades trabalham unicamente para fins materiais é um erro grosseiro, uma visão limitada do culto. 
Fazer parte de um corpo mediúnico, desenvolver, girar e se aprofundar, é atender um chamado. O chamado da alma que busca um reencontro. Uma grande prova de que os espíritos continuam participando da vida, do cotidiano e da família.

iniciação


INICIAÇÃO

A iniciação é o rito que marca a entrada do adepto na Quimbanda. Este procedimento visa desenvolver a responsabilidade e o caráter. Alguns aspectos individuais podem ser colocados à prova, como o nível de interesse, a postura e lealdade diante dos irmãos de terreiro. Algo que o fará renascer para uma nova vida.
Mas o processo iniciático é algo que perdura durante muito tempo, e a cada ano os preceitos devem ser renovados, iniciando um novo ciclo. Não há um mês específico para este reinício; depende da data da iniciação. Algumas vezes se organiza os festins numa noite específica conforme o terreiro, ou por necessidade mesmo. De qualquer modo o encerramento sempre acompanha uma festa para celebrar o ano que passou; as vitórias e o desenvolvimento alcançado. 
Os graus evolutivos são atingidos com a construção da coroa e o assentamento, e também das experiências vividas, o que irá refletir no amadurecimento da prática. Com o tempo, por mérito, a entidade de trabalho (ou de frente) recebe a capa, o primeiro símbolo de conquista; obtendo maior autonomia dentro do culto. Não há uma regra que indique em qual momento a entidade poderá usar capa. Normalmente esta é resultante de uma grande resposta ou demonstração de firmeza nos trabalhos. 
Após receber a capa, o adepto poderá acessar os locais sagrados da Quimbanda, os reinos e moradas; realizar trabalhos. Mas não poderá imolar nenhum animal. A imolação só poderá ser feita após um ritual em que receberá seus Obés (facas sagradas) de sacrifício. Este processo pode levar sete anos ou mais para estar devidamente “pronto”. Ainda assim, sempre haverá novos ciclos evolutivos para serem trilhados. 
Alguns terreiros costumam presentear as entidades da Quimbanda com um par de sapatos; tornando este acessório um símbolo de evolução na terra. Quero deixar claro que o uso de sapatos pelas entidades nunca foi um fundamento. Esse costume é bem recente, e começou por causa do inverno gaúcho, muito rigoroso. Sendo assim nas grandes reuniões (festas) as entidades passaram a usar sapatos para proteger seus aparelhos. 
Entre as famílias mais tradicionais ainda se cultiva os pés no chão, pois o chão é sagrado para a Quimbanda. E aqueles que conhecem o fundamento, ao visitar uma casa tradicional, logo observam os pés do chefe do terreiro. Se ele estiver descalço, todos tiram os calçados em respeito ao solo que estão pisando.